Oração
(de Alma Welt)
Perdoai-me Senhor, a incoerência
Que tanto à hipocrisia se assemelha.
Perdoai-me o meu ferrão de abelha,
Pelo mel, somente, da inocência...
Ao ver a hecatombe da manada,
E nas minúsculas gaiolas de arame
O sacrifício das aves, tão infame,
Eu prometi abstinência, e não fiz nada.
A lógica, Senhor, é um bom começo,
Para evitar o mal já conhecido
E afastar o mal que não conheço.
Mas, Senhor da Lucidez, dai-me bondade
Pois coerência é só tempo perdido
Se a alma não quiser a santidade...
.
11/06/2016
Perdoai-me Senhor, a incoerência
Que tanto à hipocrisia se assemelha.
Perdoai-me o meu ferrão de abelha,
Pelo mel, somente, da inocência...
Ao ver a hecatombe da manada,
E nas minúsculas gaiolas de arame
O sacrifício das aves, tão infame,
Eu prometi abstinência, e não fiz nada.
A lógica, Senhor, é um bom começo,
Para evitar o mal já conhecido
E afastar o mal que não conheço.
Mas, Senhor da Lucidez, dai-me bondade
Pois coerência é só tempo perdido
Se a alma não quiser a santidade...
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11/06/2016
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Oração ao Tempo (de Alma Welt)
Que meu tempo não seja só a espera
De conclusões ainda que felizes,
Nem o da caçada de uma fera,
Sem a fera, ou só levante de perdizes...
Que não seja mero jogo, desfastios,
Muito menos o de mil cartas marcadas,
Ou daqueles que ficaram a ver navios
E do ônibus a espera nas calçadas.
Que meu tempo não tenha sido em vão
Ou somente aperitivo pra Saturno
Enquanto o deus aguarda o seu filão.
Mas que seja eu mesma a iguaria
Enquanto avança Cronos por seu turno,
Pra devorar a mim e à minha Poesia...
Que meu tempo não seja só a espera
De conclusões ainda que felizes,
Nem o da caçada de uma fera,
Sem a fera, ou só levante de perdizes...
Que não seja mero jogo, desfastios,
Muito menos o de mil cartas marcadas,
Ou daqueles que ficaram a ver navios
E do ônibus a espera nas calçadas.
Que meu tempo não tenha sido em vão
Ou somente aperitivo pra Saturno
Enquanto o deus aguarda o seu filão.
Mas que seja eu mesma a iguaria
Enquanto avança Cronos por seu turno,
Pra devorar a mim e à minha Poesia...
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A Mariposa, uma oração (
de Alma Welt)
Senhor,
dai-me nova chance, serei digna,
Tentarei baixar o tom, bem mais humilde,
Embora nunca tenha sido uma Brunhilde,
Mas, Senhor, minh'alma é pura e fidedigna.
Sei que Sois uma imensa Luz Brilhante
Segundo a descrição forte de Dante
(quando levado até Vós por Beatriz)
Mas, meu Senhor, irei ousar e pedir bis...
Talvez seja inconveniente tal discurso,
E nem chegue a enxergar a Vossa Luz,
Já que vou queimar as asas nesse curso...
Sabeis, sou simples mariposa, amo a lua
Porque ela, humilde, a luz do Sol reduz;
Só por isso, ó Senhor, eu vivo nua...
.
14/09/2017
Tentarei baixar o tom, bem mais humilde,
Embora nunca tenha sido uma Brunhilde,
Mas, Senhor, minh'alma é pura e fidedigna.
Sei que Sois uma imensa Luz Brilhante
Segundo a descrição forte de Dante
(quando levado até Vós por Beatriz)
Mas, meu Senhor, irei ousar e pedir bis...
Talvez seja inconveniente tal discurso,
E nem chegue a enxergar a Vossa Luz,
Já que vou queimar as asas nesse curso...
Sabeis, sou simples mariposa, amo a lua
Porque ela, humilde, a luz do Sol reduz;
Só por isso, ó Senhor, eu vivo nua...
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14/09/2017
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Oração Perplexa ( de
Alma Welt)
Sabermos
tão pouco na vida, do bom Deus,
Tanto mais nos arrogando teologias:
Coisa de rir, como a certeza dos ateus
Ou a crença material das utopias...
Perdoai-me, Senhor Deus desconhecido,
Não ouso nem dizer que Vos conheço;
Pouco sei de onde estou, do acontecido,
Ainda menos de onde vim ou meu começo...
Perplexa numa terra de aventura
Como cega tateando em tiroteio,
Nau faminta, deito sortes à ventura...
Mas, ó Senhor, meu coração se inclina
Pro Vosso lado, jamais me pus no meio,
Sobre o muro, bem sei, é a pior sina...
.
07/07/2017
Tanto mais nos arrogando teologias:
Coisa de rir, como a certeza dos ateus
Ou a crença material das utopias...
Perdoai-me, Senhor Deus desconhecido,
Não ouso nem dizer que Vos conheço;
Pouco sei de onde estou, do acontecido,
Ainda menos de onde vim ou meu começo...
Perplexa numa terra de aventura
Como cega tateando em tiroteio,
Nau faminta, deito sortes à ventura...
Mas, ó Senhor, meu coração se inclina
Pro Vosso lado, jamais me pus no meio,
Sobre o muro, bem sei, é a pior sina...
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07/07/2017
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A Porta e a Fila (de Alma Welt)
Nosso Deus nos mantém na ignorância
Do que verdadeiramente nos importa.
Ele bem conhece a nossa ânsia,
Na fila de entrada ao pé da Porta.
Seguir missa eu tentava no domingo,
Mas já me contorcia em agonia
Pensando mais no tal "pé de cachimbo"
E na sua importância pra a Poesia...
Senhor Deus, perdoai a minha mente
Que só guarda da oração aquela parte
Que fala do que a pobre gente sente,
Nas lágrimas do vale e desta vila,
Que não dá pra eu pensar senão na Arte
E de como ela nos faz furar a fila...
.
04/07/2017
Do que verdadeiramente nos importa.
Ele bem conhece a nossa ânsia,
Na fila de entrada ao pé da Porta.
Seguir missa eu tentava no domingo,
Mas já me contorcia em agonia
Pensando mais no tal "pé de cachimbo"
E na sua importância pra a Poesia...
Senhor Deus, perdoai a minha mente
Que só guarda da oração aquela parte
Que fala do que a pobre gente sente,
Nas lágrimas do vale e desta vila,
Que não dá pra eu pensar senão na Arte
E de como ela nos faz furar a fila...
.
04/07/2017
Palavras ao Senhor (de Alma Welt)
Finalmente
haverá segunda chance
E teremos afinal paz alcançado?
Teremos dobrado o nosso alcance,
Entenderemos um pouco do riscado?
Finalmente sentarei ao Vosso lado
À mesa de um banquete? Sóbrio ou lauto?
Minha fome de saber terá cessado?
O banquete é interrompido pelo arauto?
Saberemos afinal a que vem tudo?
Cessará toda a minha inquietação?
Finalmente o coração estará mudo?
Senhor, falo demais, sou falastrona!
Boa fé faz outro tipo de oração?
Mas pelo menos, Senhor, não sou chorona...
.
01/07/2017
E teremos afinal paz alcançado?
Teremos dobrado o nosso alcance,
Entenderemos um pouco do riscado?
Finalmente sentarei ao Vosso lado
À mesa de um banquete? Sóbrio ou lauto?
Minha fome de saber terá cessado?
O banquete é interrompido pelo arauto?
Saberemos afinal a que vem tudo?
Cessará toda a minha inquietação?
Finalmente o coração estará mudo?
Senhor, falo demais, sou falastrona!
Boa fé faz outro tipo de oração?
Mas pelo menos, Senhor, não sou chorona...
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01/07/2017
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Oração espertinha (de
Alma Welt)
Deitei-me
sob o meu umbu pampeiro
Após ter muito andado na coxilha,
Das gramíneas sentindo o doce cheiro
E ouvindo o som da vida que fervilha.
Então pensei: isto tudo é um presente
Da Natura que é Deus disseminado,
E é assim que Ele se faz onipresente
Pois em cada segmento unificado.
Assim aconchegada em vasto colo
Eu estive por momentos tão completa
Que nem mesmo pousava sobre o solo.
Não me solte, Senhor, peço, nunca mais!
Já estou no Céu, que é a Vossa meta,
Morrer agora seria andar pra trás...
.
18/06/2017
Após ter muito andado na coxilha,
Das gramíneas sentindo o doce cheiro
E ouvindo o som da vida que fervilha.
Então pensei: isto tudo é um presente
Da Natura que é Deus disseminado,
E é assim que Ele se faz onipresente
Pois em cada segmento unificado.
Assim aconchegada em vasto colo
Eu estive por momentos tão completa
Que nem mesmo pousava sobre o solo.
Não me solte, Senhor, peço, nunca mais!
Já estou no Céu, que é a Vossa meta,
Morrer agora seria andar pra trás...
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18/06/2017
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Anti-Oração ao Bom Deus (de
alma Welt)
Oriundos
do antigo Paraíso
Estamos todos perdidos nesta Terra
Onde até mesmo o bom cabrito berra,
Esperando pelo dia do Juízo...
E me pergunto: Será que Deus nos ouve
Sob o ruído de fundo das estrelas?
Contará Ele só com quem O louve?
Nossas feições reconhece Ele ao vê-las?
Nós, os rebeldes, primogênitos de Adão,
Que há tempos elevamos nosso fumo
Que Vosso vento dispersou na contramão...
Tereis Senhor, conosco, complacência,
E mesmo que perdido o nosso rumo,
Um desconto nos dareis, pela carência?
.
23/02/2017
Estamos todos perdidos nesta Terra
Onde até mesmo o bom cabrito berra,
Esperando pelo dia do Juízo...
E me pergunto: Será que Deus nos ouve
Sob o ruído de fundo das estrelas?
Contará Ele só com quem O louve?
Nossas feições reconhece Ele ao vê-las?
Nós, os rebeldes, primogênitos de Adão,
Que há tempos elevamos nosso fumo
Que Vosso vento dispersou na contramão...
Tereis Senhor, conosco, complacência,
E mesmo que perdido o nosso rumo,
Um desconto nos dareis, pela carência?
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23/02/2017
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Oração de Fim de Ano (
de Alma Welt)
Quantos
planos eu tive quando jovem
Que agora risíveis me parecem...
Já que novos planos não me movem,
As horas e os minutos que me levem!
Que alívio, meu Deus, não mais querer
Senão estar viva e com saúde
E escrever sonetos amiúde
Para a outros encantar ou entreter...
Senhor, alertai-me quando eu peque
Por alguma vaidade do talento
Pois de Vós é que vem todo sustento...
E se a deixar o barco estive prestes,
Perdoai-me Senhor, e jamais seque
Esse rio generoso que me destes...
.
28/12/2016
Que agora risíveis me parecem...
Já que novos planos não me movem,
As horas e os minutos que me levem!
Que alívio, meu Deus, não mais querer
Senão estar viva e com saúde
E escrever sonetos amiúde
Para a outros encantar ou entreter...
Senhor, alertai-me quando eu peque
Por alguma vaidade do talento
Pois de Vós é que vem todo sustento...
E se a deixar o barco estive prestes,
Perdoai-me Senhor, e jamais seque
Esse rio generoso que me destes...
.
28/12/2016
Anti-Oração (de Alma Welt)
Senhor
Deus onipotente das esferas,
Que um universo rolas sem sentido,
Perdoa a quem tanto desesperas
E essa falta de fé com que mal lido.
Me criaste quase à tua perfeição
Mas por esse "quase" abandonaste
Um pouco antes do tempo o coração
Que carente resta como um traste.
Como posso crer em ti, Senhor dos astros
Quando na vizinhança um guri chora
Envolto em dores, feridas e emplastros?
Se não pode um Poder vir em socorro
Pelos próprios desígnios que elabora,
Então, cara ou coroa, vivo ou morro.
Que um universo rolas sem sentido,
Perdoa a quem tanto desesperas
E essa falta de fé com que mal lido.
Me criaste quase à tua perfeição
Mas por esse "quase" abandonaste
Um pouco antes do tempo o coração
Que carente resta como um traste.
Como posso crer em ti, Senhor dos astros
Quando na vizinhança um guri chora
Envolto em dores, feridas e emplastros?
Se não pode um Poder vir em socorro
Pelos próprios desígnios que elabora,
Então, cara ou coroa, vivo ou morro.
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Última Oração (de Alma Welt)
Que o Fado me poupe da desgraça
De entrar em triste decadência,
Morrer velha, em feiúra e doença,
Lamentando a vida e o mais que passa.
Queria morrer jovem e no pináculo,
Mesmo que seja tamanha a minha dor
Que minha morte se erija em espetáculo
Ou confundam com antigo mal de amor.
Tudo é vaidade, percebes se te afastes...
Mas, Deus, Vós me fizestes tão bonita,
Por que assim tão mal me acostumastes?
E se na hora estranha da partida
Puder sentir que o Vosso olhar me fita,
Lembrai, Senhor, o quanto amei a Vida!
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